Calculadora de baterias estacionárias: dimensionamento, autonomia e ensaio de capacidade
Dimensionamento com energia e recarga, autonomia, ensaio de capacidade segundo IEEE 450-2020, IEC 60896-21:2004 ou IEC 61056-1:2012 e resistência interna de baterias.
Dimensionamento, autonomia e ensaio de capacidade
Quatro cálculos sobre o mesmo banco: a capacidade mínima que o perfil de carga exige, com a sua energia e o tempo de recarga; a autonomia estimada perante uma corrente constante; o resultado de um ensaio de descarga segundo a IEEE 450-2020, a IEC 60896-21:2004 ou a IEC 61056-1:2012, com o próximo ensaio; e a resistência interna medida em dois patamares de corrente.
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O que faz esta calculadora
Quatro cálculos sobre o mesmo banco, em quatro separadores:
- Dimensionamento. A partir do perfil de carga, a capacidade mínima a instalar e, se indicar o número de elementos e a corrente do carregador, a energia da bateria e o tempo de recarga.
- Autonomia. Quanto tempo aguentará um banco já instalado perante uma corrente constante.
- Ensaio de capacidade. Que percentagem da capacidade nominal deu uma descarga real, corrigida segundo a IEEE 450-2020, a IEC 60896-21:2004 ou a IEC 61056-1:2012, e quando cabe o próximo ensaio.
- Resistência interna. A resistência e a corrente de curto-circuito a partir de dois patamares de corrente, segundo a IEC 60896-21:2004 ou a EN 61960.
Dimensionamento segundo a IEEE 485-2020
O método completo da IEEE 485-2020 divide o perfil de carga em secções e procura, para cada uma, o tamanho de elemento que a cobre usando as curvas de capacidade do fabricante. Esta calculadora aplica a versão simplificada usada para um primeiro cálculo:
- Somam-se os ampère-hora exigidos pelo perfil: Σ (corrente × duração).
- Aplica-se o fator de temperatura correspondente à temperatura mínima do local. Interpola-se entre os pontos da tabela da IEEE 485-2020 — 1,00 a 25 °C; 1,04 a 21,1 °C; 1,11 a 15,6 °C; 1,19 a 10 °C; 1,30 a 4,4 °C; 1,59 a −6,7 °C — e acima de 25 °C não se toma crédito, que é o critério conservador.
- Aplica-se o fator de envelhecimento, 1,25 por convenção.
- Acrescenta-se a margem de projeto, tipicamente entre 10 % e 15 %.
O resultado é a capacidade mínima em ampère-hora. Não é o tamanho definitivo do elemento: para isso é preciso entrar nas curvas do fabricante com o regime de descarga real, porque uma bateria não entrega a mesma capacidade a 1 hora e a 8.
Autonomia estimada
O segundo separador usa a equação de Peukert,
t = H × (C / (H × I))^n
onde C é a capacidade nominal, H o regime a que está dada (8 ou 10 horas na maioria das estacionárias), I a corrente de descarga e n o expoente de Peukert, entre 1,1 e 1,3 em chumbo-ácido.
É uma aproximação conhecida e cómoda, mas uma aproximação: afasta-se da realidade em descargas muito rápidas e a correntes muito pequenas, e não contempla a tensão final de descarga nem o estado de carga inicial. Serve para decidir se um banco está folgado ou justo; não para certificar uma autonomia.
Ensaio de capacidade segundo a IEEE 450-2020
A única forma de saber que capacidade tem uma bateria é descarregá-la. O terceiro separador calcula
Capacidade (%) = (tempo atingido / tempo esperado) × 100
corrigida pela temperatura média dos elementos durante o ensaio com o fator da IEEE 450-2020, 1 + 0,008 × (T − 25 °C). Com os elementos a 30 °C a bateria rende mais, e sem corrigir registar-se-ia um resultado cerca de 4 % melhor do que o real.
Interpretação: 90 % ou mais, serviço normal; entre 80 % e 90 %, encurtar o intervalo entre ensaios; abaixo de 80 %, substituir.
Energia e tempo de recarga
Com o número de elementos em série e a tensão média de descarga por elemento —entre 1,9 e 2,0 V em chumbo-ácido—, a calculadora dá a energia da bateria requerida, E = N × V média × C, que é como a IEC TS 62933-3-1:2018 a exprime para os sistemas de armazenamento. Usa a capacidade já corrigida pela temperatura, envelhecimento e margem, porque essa especificação exige que os valores nominais se mantenham no fim de vida e na pior temperatura: é o mesmo raciocínio do fator 1,25.
A mesma especificação pede que se considere o tempo de recuperação: o que a bateria demora a ficar pronta para o ciclo seguinte. A calculadora estima a fase com corrente limitada como Ah descarregados × fator de recarga / corrente do carregador, com um fator de 1,10 a 1,15 em chumbo-ácido. A absorção a tensão constante acrescenta várias horas, pelo que o resultado é um mínimo.
Ensaio segundo a IEC 60896-21:2004 e a IEC 61056-1:2012
Na Europa, os ensaios de baterias VRLA estacionárias são reportados segundo a IEC 60896-21:2004. A capacidade medida, corrente × tempo, é corrigida para a temperatura de referência escolhida —20 °C ou 25 °C— com a temperatura da unidade imediatamente antes da descarga, que deve estar entre 18 °C e 27 °C:
Ca = C / [1 + λ × (θ − 20)] (ou θ − 25)
| Regime | Tensão final | λ |
|---|---|---|
| C10 | 1,80 V/elemento | 0,006 |
| C8 | 1,75 V/elemento | 0,006 |
| C3 | 1,70 V/elemento | 0,006 |
| C1 | 1,60 V/elemento | 0,01 |
| C0,25 | 1,60 V/elemento | 0,01 |
Num ensaio de colocação em serviço a descarga termina quando a cadeia chega a N × U final ou quando o primeiro bloco chega a n × U final − 0,2 × √n, o que acontecer primeiro. Numa cadeia de oito monoblocos de 12 V descarregada a C3, isso dá 81,6 V para a cadeia ou 9,71 V para o primeiro bloco. A calculadora dá os dois valores se indicar a tensão do bloco.
As baterias VRLA pequenas —UPS, iluminação de emergência, equipamentos portáteis— seguem a IEC 61056-1:2012. Aí a referência é a C20: descarga a I20 = C20 / 20 até 1,75 V/elemento, a 20 ± 2 °C ou 25 ± 2 °C, sem correção pela temperatura. A capacidade real é Ca = t × I20 e deve atingir C20; numa bateria nova a norma admite até cinco descargas. Exige ainda que a 20 × I20 a bateria aguente pelo menos 20 minutos até 1,6 V/elemento.
Vida esperada e próximo ensaio
A vida de uma bateria de chumbo depende sobretudo da temperatura: a IEC 60896-21:2004 (nota de 3.36) e o guia VRLA da Eurobat reduzem-na para metade por cada 10 °C de temperatura média acima de 20 °C. Uma bateria com 10 anos de vida de projeto a trabalhar a 30 °C dura cerca de 5. Com a vida assim corrigida, a calculadora aplica os intervalos da IEEE 450-2020:
- Abaixo de 80 %: substituir.
- 90 % ou menos, queda de mais de 10 pontos desde o ensaio anterior ou 85 % da vida consumida: ensaio anual (de dois em dois anos se, mesmo no fim da vida, a bateria ainda der 100 %).
- Caso contrário: a cada 25 % da vida esperada ou a cada 5 anos, o que chegar primeiro. O primeiro ensaio, nos dois primeiros anos de serviço.
Resistência interna
O quarto separador aplica o método de dois patamares de corrente. Em chumbo, o da IEC 60896-21:2004, com a unidade carregada e entre 20 °C e 25 °C: 4 × I10, leitura aos 20 s e corte antes dos 25 s; cinco minutos em circuito aberto sem recarregar; 20 × I10, leitura aos 5 s. Em lítio, o da EN 61960: 0,2 It durante 10 s e, sem interromper, 1,0 It durante 1 s. Em ambos os casos
R = (U1 − U2) / (I2 − I1)
e prolongando a reta até tensão zero obtém-se a corrente de curto-circuito, Icc = (U1 × I2 − U2 × I1) / (U1 − U2), o dado para dimensionar fusíveis e disjuntores. A IEC 60896-21:2004 atribui ao método uma exatidão de ±10 %, pelo que diferenças menores em relação ao valor do fabricante não são significativas. Com a bateria descarregada, a corrente de curto-circuito desce para cerca de 60 %. A resistência interna serve para acompanhar a evolução de um banco, não para conhecer a sua capacidade: só o ensaio de descarga a dá.
Exemplo resolvido
Sistema de 125 V c.c. numa subestação cujo local desce a 10 °C no inverno. Perfil: 120 A durante o primeiro minuto, 25 A durante 179 minutos e 80 A no último minuto.
- Consumo do perfil: 120×(1/60) + 25×(179/60) + 80×(1/60) = 77,9 Ah
- Fator de temperatura a 10 °C: 1,19
- Com envelhecimento 1,25 e margem de 10 %: 77,9 × 1,19 × 1,25 × 1,10 = 127 Ah
Um elemento de 150 Ah ao regime de 8 horas cobre o perfil com folga; um de 125 Ah ficaria no limite e teria de ser verificado na curva do fabricante antes de comprar.
O que esta calculadora não faz
Não substitui o método por secções da IEEE 485-2020 nem as curvas do fabricante, que são as que mandam no dimensionamento final. Não dimensiona o carregador: o tempo de recarga é uma estimativa da fase com corrente limitada. E não diz nada sobre a capacidade de um banco instalado sem um ensaio de descarga: a resistência interna ajuda a acompanhar a sua evolução, mas o ensaio é a única medida que nenhum cálculo substitui.
Com que se mede
O ensaio de capacidade faz-se com um descarregador de baterias capaz de manter a corrente constante e registar a tensão de cada elemento durante toda a descarga. O resto do ciclo de manutenção — carga, verificação de elementos e monitorização — está coberto pela mesma gama.
Se preferir não escolher o equipamento à mão, o seletor de carregadores e descarregadores propõe o modelo concreto a partir da tensão do banco, da corrente e do tipo de ensaio.
Perguntas frequentes
- Porque se multiplica por 1,25 ao dimensionar uma bateria?
- É o fator de envelhecimento. Uma bateria estacionária considera-se esgotada quando a sua capacidade cai para 80 % da nominal, e 1/0,8 = 1,25. Dimensionar sem esse fator significa que a instalação deixa de cumprir a sua autonomia muito antes de a bateria chegar ao fim da vida útil.
- Porque é preciso corrigir pela temperatura?
- Porque uma bateria de chumbo-ácido entrega menos capacidade quanto mais baixa é a temperatura: a 10 °C é preciso cerca de 19 % mais capacidade nominal para obter os mesmos ampère-hora que a 25 °C. Dimensiona-se com a temperatura mínima esperada no local, não com a média.
- Quando se deve substituir um banco de baterias?
- A IEEE 450-2020 marca o critério em 80 % da capacidade nominal: abaixo desse valor a bateria substitui-se. Entre 80 % e 90 % a recomendação é encurtar o intervalo entre ensaios e seguir a evolução, porque a queda costuma acelerar.